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Movimente o seu Propósito

É em movimento que seguimos a jornada da vida. Um passo após um outro. Uma pausa após a outra. Cadência, ritmo, movimento. Cada um tem o seu. Todos participam a seu modo.

É em movimento que novas perguntas nos encontram. Algo precisa se mover para que o novo possa aparecer, nos confundir, nos surpreender, nos fazer crescer ou, pelo menos, ansiar por isso.

É em movimento que nos encontramos com Deus e criamos na realidade. A natureza nunca para, está sempre em movimento, mesmo que em silêncio. Participar desse movimento de vida é uma escolha, é preciso dar o primeiro passo para que o caminho se apresente.

Muitas pessoas conversam comigo sobre encontrarem seus propósitos de vida, sobre seus negócios e como gostariam de eles estivessem realizando algo grandioso. Mas a maioria espera que esse propósito seja uma iluminação, algo que de repente se manifesta como um belo slogan para ser comunicado. Estão focadas no que fazer da vida e esquecem de o porquê fazer na vida. Quanto mais isso acontece, mais se comparam com outras pessoas e como a vida do vizinho parece ser tão bem resolvida. Uma comparação que magoa e as faz sentir sempre insuficientes não importa o que tenham conquistado.

Algo grandioso só pode acontecer quando nasce da verdade. A integridade dá a base para aquilo que é feito. Precisa ser genuíno para ser sustentado. Esse é o desafio. Encontrar o seu propósito passa pela honestidade, pela coragem de olhar para o que é real e só tem um caminho: o coração. Ele nunca mente, mas compreender essa linguagem pode ser assustador à princípio.

Por isso o movimento, um passo por vez. Quando decidimos trabalhar com o propósito em nossas vidas, criamos um movimento para isso e a partir dele, teremos momentos de alegria e conexão e ao mesmo tempo, vamos encontrar com as incoerências escolhidas que nos afastaram do movimento original. Movimento da alma e em seguida, movimento do corpo.

Movimento é diferente de velocidade e força. Muitas vezes é parado, mas ativo. Constante, mas suave. É um impulso da alma que pode nos fazer simplesmente parar, mas paramos com sentido e por isso, o movimento pode ser de espera. Pode ser apenas interno e temos ciência disso. Permanecemos à espera do que precisa ficar pronto, do caminho que se formará para o próximo passo.

Até que seja possível corrigir o passo para o que realmente faz sentido em nossas vidas, vamos ter que lidar com aquilo que normalmente é confortável, mas nos tira o prazer de viver sendo quem somos.

Comigo aconteceu assim também.

Comecei a dançar no dia do meu aniversário de 12 anos. Um dia muito feliz. Minha madrinha me via fazendo espetáculos de dança para os vizinhos e resolveu me dar a matrícula de presente. Primeiro o jazz e anos depois, estava eu na companhia profissional dançando moderno, balé clássico, jazz e dando aulas na academia. A dança sempre esteve presente, mesmo antes de oficialmente ser bailarina. Sempre que lembro de mim, lembro da dança.

www.tatianaparreira.com.br


Aos 17 anos descobri uma doença que me fez desistir da carreira profissional na dança. Um tumor. Benigno, mas que interferia no metabolismo do meu corpo. Enquanto fazia o tratamento, fui para a faculdade de comunicação. A ideia era ter uma profissão que me mantivesse em movimento. A publicidade engloba tudo isso em eventos, criação, interação com o público... é um vai para lá e vem para cá sem fim!

Anos depois, mantendo a dança em segundo plano e com um escritório de consultoria sistêmica montado, me deparei com o desafio de explicar o que exatamente uma publicitária que também é terapeuta sistêmica faz. E num trabalho longo de planejamento o obvio veio à tona: movimentar. Esse sempre foi o meu propósito de vida, mas não tinha ainda sido definido em palavras para que eu pudesse compartilhar com as pessoas ao meu redor. Assumir isso (sou dançarina e sempre vou ser independente do que estiver fazendo na vida) fez toda a diferença.

O resultado foi esse aqui:


O movimento faz tanto sentido para mim que a vida se manifesta assim, só consigo compreender algo quando há um movimento. E aí está a minha maior habilidade: me movimentando estimulo os outros a se movimentarem também. Pode ser no palco, em projetos, em sala de aula, onde eu estiver, em qualquer coisa que eu faça. Agora eu sei.

Continuo com uma vida comum, trabalhando, estudando, pagando contas, limpando a casa, essas coisas que do dia-a-dia que todos vivemos. Mas sei quem sou e assumir isso, mudou tudo.

Por isso, para você que está se perguntando qual é o seu propósito, se pergunte antes: o que me move? O que sempre me faz sair do lugar e avançar na vida? Movimente o seu propósito. É assim que você se encontrará com ele, consigo mesmo e poderá de algum modo entregar isso ao mundo. Como bem disse Carpinejar, é “dançar com a música de dentro”.

<3

Mulheres com propósito

É preciso coragem para seguir um propósito. Um propósito da alma.

Já nascemos com várias definições sobre como devemos ser, como é o modo correto de nos comportar, quais as decisões que nos fazem ser boas o suficiente para sermos amadas, admiradas, aceitas... Passamos a vida tentando nos acertar em meio a tudo isso e muitas vezes conseguimos. O problema é o preço que pagamos por isso. O preço de nos perder de nós mesmos. Olhamos ao redor e tudo está como deveria estar, mas por dentro, nada faz sentido.

Vivemos em uma época que nos desafia a ser o que somos, mas nos convida todo o tempo a parecer o que deveríamos ser. É confuso, eu sei. Mas apenas se pergunte: você está leve nesse exato momento? Se sente em paz durante o seu dia? Se a resposta é não, talvez seja um bom momento para se observar mais.

Em qual área da sua vida há uma crise hoje? O que essa crise te diz? Entenda, às vezes a crise vai se apresentar na forma de parada total, quando não há energia para dar mais nenhum passo na vida. Às vezes vem com uma grande mudança, dessas que a gente não controla, mas participa, se vê imersa e precisa se adaptar. As crises normalmente nos contam em qual parte das nossas vidas precisamos parar de fingir.

É, só tem um jeito: assumir quem somos. E sim, talvez seja a coisa mais difícil que você vai fazer na vida. Estamos acostumadas a nos esforçar para sermos mulheres como achamos que deveríamos ser.

E se nada disso for verdade? E se quando você apenas se soltar tudo o que sempre esperou puder ser seu? E se você tiver coragem de assumir a responsabilidade pela sua vida? E se você for o suficiente exatamente como é nesse exato momento? E se você parar de se julgar?

“E se a questão não for: por que é tão raro eu ser a pessoa que realmente quero ser, e, sim, por que é tão raro eu querer ser a pessoa que realmente sou? Oriah Mountain Dreamer.

Eu sei, é preciso coragem, porque quando vivemos o nosso propósito da alma encontramos uma felicidade grande demais, daquelas que não tem mais como fingir, precisamos assumir. Assumir é abrir a porta, deixar as coisas acontecerem segundo o seu coração, nada mais. Assusta no início, gera uma certa culpa durante e depois te liberta para oferecer ao mundo o que é real em você. Já pensou o que o mundo perde cada vez que você finge e se anula? O que o mundo ganharia se você pudesse oferecer a ele todo o seu potencial?

O que faz sentido está em você, apenas em você. Já está pronto, já nasceu com você, tenha coragem de se encontrar e de assumir quem você é. Esse é o seu legado e o mundo precisa disso.

* Escrevi esse texto para um trabalho com a UP Brasil em comemoração ao dia das Mulheres em 2017. Viajei para as cidades onde a empresa tem filiais e encontrei mulheres espetaculares! Foram dias incríveis, nos quais aprendi mais e mais sobre as belezas de realizar o nosso propósito de vida. :)




Amar dói.

Não é o amor que dói. É amar.

Porque quando amamos somos quebrantados. É como se ao tocar o amor, tivéssemos que obrigatoriamente tocar o que em nós também precisa ser amado. Aquilo que escondemos debaixo do tapete para não ter que sentir, não ter que lidar, não ter que olhar. Mas o amor, quando toca, traz à tona.

E isso vale para qualquer tipo de amor. Amor a um projeto, a uma pessoa, a uma empresa, a um produto, a um cargo, a uma ideia. Todas as vezes que amamos algo fora, encontramos também algo dentro que precisa de amor.

A grande questão é que para manter o amor ao que está fora, muitas vezes queremos sufocar ainda mais o que está adoecido internamente, queremos que o orgulho, o medo, a insegurança ou qualquer coisa que ainda carregamos não apareça, não ameace aquela sensação boa de estar amando algo. E aí, vamos nos abandonando, deixando de ser quem somos, para tentar ser aquilo que o objeto, a empresa ou a pessoa amada espera.

Espera, pede descaradamente ou pior, nós é que achamos que espera.

É nesse momento que nos perdemos, quando deixamos de amar o que em nós mais precisa de amor. Porque é no amor ao que está na vida que criamos a possibilidade de amar o que ainda não conseguimos olhar dentro de nós.

O que em você precisa de amor? Como o amor que você sente por seus projetos tem te ajudado a descobrir o que em você ainda não cresceu? Como o seu amor por alguém tem te mostrado que ainda existem partes suas inseguras?

É por isso que amar dói, porque nos faz vulneráveis, nos faz encarar que nem sempre vencemos e que é preciso corrigir a rota. Amar nos escancara, mostra onde erramos e nos faz ver o que não pode mais voltar e o que não pode mais seguir. Quando amamos somos obrigados a nos limpar de velhas cargas ou das novas que tentam nos entregar, mas que não fazem mais sentido. A gente já não aguenta mais.

Ao mesmo tempo ele nos prepara para novos tempos, nos quais seremos mais amados por nós mesmos e poderemos colher mais amor. Não se abandone. Esse é o primeiro passo para dar tudo errado. O amor é a chance que temos de vencer e ele primeiro precisa passar por nós, curar em nós para depois poder ser oferecido.

Tenha coragem de deixar o amor viver em você. Uma coisa é garantida, ele vai trazer para a pele as dores que precisam ser sentidas para poderem ir embora de vez. Tenha coragem de senti-las, só assim as dores podem ser curadas, quando são aceitas no coração.

Isso não significa aceitar as exigências descabidas de um parceiro, de um cargo, de um chefe sem noção. Significa ter a coragem de olhar para você e se perguntar: Porque ainda estou atraindo isso para mim? Qual dor estou tentando reproduzir aqui? E se entregue à resposta. O amor a esse emprego, ou seja lá o que for que você estiver amando, pode te ajudar a amar mais você mesmo.

Espero que você tenha a coragem de se amar, de estar consigo, de corrigir o rumo e de se libertar.